segunda-feira, 4 de maio de 2009



Arte Sebastião Salgado



Eu ando com
passos lentos...

lamento pela
pressa.

cheguei.



"Pés para que os quero. Se tenho asas para voar" Frida.

quarta-feira, 22 de abril de 2009




MEU EU SE FOI
ESVAZIEI-ME DE MIM
O QUE RESTOU ??
A MINHA
L
U
C
I
D
E
Z

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008




Escrita incompleta:

tenho alguns textos incompletos, e os que eu termino, sinto que não tem um final como eu queria, deixo de lado meus textos para que eles amadureçam, mas as vezes eles passam do tempo e apodrecem simplesmente, minha idéia mudou, não gosto mais. Então qual será o tempo de recomeçá-los? Ou deixar-lo, sinto que se deixar faltando algo, ele parecerá ter vida própria e responderá si só...



...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Um papo com o poeta Carpinejar

foto de Renata Stoduto

“Na primeira vez que li um poema de Carpinejar, ele me abraçou com as palavras. Sua poesia é afrodisíaca e nos envolve cada vez mais. O que a filosofia pergunta, a sua poesia responde”. Esse é o depoimento da acadêmica do curso de Letras Português/Espanhol da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv), Jucimara Garbos. Nesse pequeno trecho, percebe-se a grande admiração da aluna pelo escritor, o qual merece um destaque especial na literatura brasileira.
Fabrício Carpinejar, Carpi de mãe, e Nejar de pai, é poeta e jornalista. Nasceu em Caxias do Sul (RS) na primavera de 23 de outubro de 1972. Aos 36 anos, possui 15 prêmios em sua carreira de “literato” e 12 livros publicados. Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, filho de dois escritores de nossa literatura brasileira, Carlos Nejar e Maria Carpi.
Fabrício é uma das revelações de nossa literatura. Sua obra possui uma fina delicadeza, tem o lirismo correndo em suas veias. Ele pensa poesia, escreve, seja qual for o texto: conto, crônicas, enfim, são sempre poeticamente escritos.
A entrevista foi concedida à acadêmica do 3.º ano de Letras Português/Espanhol da Fafiuv, Jucimara Garbos.

JG - Quais são seus livros de cabeceira? Um poema e um autor que mais o agrada?
Cabeceira é longe. Livros ficam na própria cama, como almofadas de minhas mãos. As mãos também precisam de lençóis. Gosto muito de Goethe. Uma frase dele é como epígrafe do que acredito: “se queres caminhar ao infinito, caminhe por todos os lados do finito”.


JG - Fabrício, você acredita que a literatura tem o poder de representar um estado de sentimento, ou tudo é fruto de um jogo; o poeta seria aquele de Fernando Pessoa, um fingidor?
Não há fingimento que não passe para o lado da verdade. É só começar a fingir que já viramos a casaca. O poeta é aquele que não sabe mentir sua emoção, pode alterar a ordem dos fatos ou a maneira de expressá-la. O dicionário sente inveja da poesia. A poesia casa, o dicionário separa. O dicionário é a Vara de Família.


JG - Fabrício, conte como foi a sua química pela poesia, como ela o envolveu?
Quando eu vi que era possível ser tudo o que sonhei em segredo. Poderia ser qualquer profissão. Poderia ser qualquer pessoa. Poderia habitar todo nome. Ser ninguém é uma forma de ser um pouco cada um que amo todo dia. Minha personalidade é influenciável. Decidi pela poesia, de modo organizado, aos 16 anos. Desisti das cartas de amor para amar fora do papel. O risco de redigir cartas é amar o papel mais do que o destinatário: fugi dessa cilada.


JG - Leio seu blog diariamente(fabriciocarpinejar.blogger.com.br)acredita que ele é um meio de divulgar sua obra, como faziam os escritores antigamente com os folhetins?
Sim, perfeito, é uma novela com capítulos, participação, tramas e ações encadeadas. O blog é o folhetim interativo. A reinvenção da via privada. Com a malícia da confusão, o ímpeto da imaginação e o tempero da proximidade.


JG - Você acaba de publicar seu novo livro: Canalha (Bertrand Brasil, 2008) qual seu maior motivo para escrever tanto?
Ter ficado calado toda a minha infância, eu somente destravei agora. Eu me guardei muito tempo. Fiz estoque na despensa, acumulei. Escrevo para descontar a asma e recuperar o tempo que nunca foi perdido.


JG - Uma mensagem aos novos leitores de Carpinejar:
Que não estranhem meus óculos, minha careca e as unhas pintadas: sou perigosamente caseiro.


Autor dos livros:

As Solas do Sol (Bertrand Brasil, 1998),
Um Terno de Pássaros ao Sul (Escrituras Editora, 2000), objeto de referência nos The Book of the Year 2001 da Enciclopédia Britânica,
Terceira Sede (Escrituras, 2001),
Biografia de uma árvore (Escrituras, 2002),
Caixa de Sapatos (Companhia das Letras, 2003),
Porto Alegre e o dia em que a cidade fugiu de casa (Alaúde, 2004)
Cinco Marias (Bertrand Brasil, 2004)
Como no Céu e Livro de Visitas (Bertrand Brasil, 2005),
O Amor Esquece de Começar (Bertrand Brasil, 2006)
Filhote De Cruz Credo (A GIRAFA EDITORA, 2006),
Meu filho, minha filha (Bertrand Brasil, 2007) e Canalha! (Bertrand Brasil, 2008).


publicado no jornal O Comércio - Novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008





CONTEMPLO: o tempo
que nunca se acaba
de pirraça passa rápido,
e as vezes,
sem graça nunca passa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008


Clarice
veio de um mistério.
partiu para outro.
Ficamos sem saber a
essência do mistério.
Ou o mistério não era essencial,
era Clarice viajando nele.
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 22 de outubro de 2008


"Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.

Que eu vou passando e passando,
Como em busca de outros ares...
Sempre de barco passando,

Cantando meus quintanares...
Mario Quintana"

(Poema recitado por Bandeira na homenagemaos 60 anos do poeta, na ABL.)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

BANHO MARIA



LENTO, LENTO, LENTO
LAMENTO MAIS ENDURECEU.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008






Assistam Edifício Máster, documentário de Eduardo Coutinho, ele mostra a rotina dos moradores em Copacabana, o Edifico é grande, muito grande, com 12 andares, 276 apartamentos e mais de 500 moradores, a equipe de Coutinho trabalhou muito, por cerca de um mês, colheu depoimentos de vários personagens, pois são mesmo “personagens”, cada um com sua estória. São fascinantes as entrevistas, é difícil dizer qual é a melhor. Acredito que isso não importa o que importa é a maneira como Coutinho trabalhou-a (ele que também fez o documentário, Babilônia 2000), ele explorou-os de uma forma que os valorizassem de uma maneira simples e fascinante.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O CÉU NÃO TEM SOM

Tudo que fazia era com música, pois ela de certa forma me deixava leve, e me levava para outra dimensão, fugia do mundo real e passava morar em um mundo paralelo, e esse mundo tinha uma diferença de oito anos a menos.
Dia 19 de maio de 2116 era um dia importante para mim, pois minha esposa Amelie ia dar a luz ao nosso primeiro filho, o Joaquim, como Amelie teve algumas complicações em sua gravidez, não poderia ter parto normal, e já estava no hospital, no dia seguinte às dez horas da manhã, Joaquim ia nascer.
Finalmente o grande dia chegou, vai nascer nosso Joaquim, levantei cedo perto das sete, fiz um café, tomei-o, em seguida alimentei nossos animais de estimação, fui arrumar as coisas no carro para levar para o hospital, liguei o som do carro para relaxar um pouco, pois estava tenso com a chegada de Joaquim e ainda faltavam três horas para seu nascimento, mudei de estação, pois queria ouvir uma música tranqüila, quando dei por mim estava com Alice, esqueci que não poderia escutar música nesse dia, aqui eu era um vendedor de cigarros, onde já tinha uma família, aliás, uma família grande, minha esposa era linda, a Alice, tínhamos, três filhos, Alberto, Romena, e Vicent, sentia muito orgulho dos meus filhos, todos com uma carreira brilhante pela frente, Alberto era engenheiro, com planos para o futuro, Romena, professora, sentia um prazer em dar aulas e ter seus alunos sempre em sua volta, Vicent, era médico pediatra adorava crianças.
Mais não poderia permanecer aqui, pois Joaquim estava para nascer, tinha que estar com Amelie, sai desesperado atrás de um som, para poder voltar, encontrei na cozinha, sintonizei em uma música tranqüila, gostava muito de clássicos.
Acordei com o braço adormecido, olhei para o relógio nove e meia, saí correndo para chegar a tempo ao hospital, coloquei as coisas no carro, saí depressa, ao chegar no trevo um grande movimento, fui ultrapassar outro carro, acordei em outro mundo, pensei, voltei para Alice e as crianças, mais e a Amelie, está sozinha, não conhecia ninguém, nada era familiar, comecei a falar com as pessoas que passavam por mim, mais ninguém me ouvia, tinha que achar um som, mais as coisas não tinham som, onde estou? Preciso ouvir, preciso voltar para Amelie, pois Joaquim vai nascer preciso estar lá quando ele chegar, comecei andar por aquelas ruas estreitas, cheias de flores, com uma claridade, muito forte que chegava a doer os olhos, andei, andei, acho que andei por umas dez quadras, até que avistei um piano, corri até ele para ver se saia algum som, mais nada, não funcionava. Escutei uma voz no fundo, olhei um senhor com cabelos volumosos, um lenço vermelho em volta do pescoço, não acreditava que era ele mesmo, pensei então estou no céu. Ele falou comigo, com uma voz grossa?
- Este piano só funciona com minhas mãos.
- Beethoven?
- Sim, eu mesmo
- Pode me ouvir?
- Sim, aqui eu consigo ouvir, produzi várias músicas aqui, eu e meu piano somos grandes companheiros, aqui eu sou feliz.
Estava em choque, não acreditava que era o próprio, pedi a ele para tocar uma música, para que eu pudesse voltar para a terra, se é que ainda daria tempo para ver Joaquim nascer.
Beethoven deslizava as mãos no piano, o som, tão suave, estava me sentido leve, muito leve, muito leve, leveeeee...
E acordei em um barranco, meu carro com a frente destruída, mais ainda dá tempo de chegar ao Hospital. Chegando lá, entramos na sala de cirurgia, estava tenso, mais Joaquim nasceu bem, e Amelie continua linda.

http://www.palpitar.com.br/criacao.php?ID=355

segunda-feira, 6 de outubro de 2008




Com as minhas mãos
leio seu corpo, em braile. E
encontro a rima perfeita
de nós.
Com o ritmo que me cega de desejo!
à Colatino Barroso